sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pensamentos "vagos"


Com os olhos fechados olhando pro céu percebeu que o brilho das estrelas já não era o mesmo, que as gotas da chuva já não pareciam cristalinas, que os sonhos eram pesadelos e os pesadelos eram lindos...
O barquinho seguindo as águas, lindo como lembranças que seguem a vida, mas afundou era de papel, e as lembranças ó céus...
As estradas levavam a lugar algum, não pela falta de destinos, mas pela crença NAQUELE destino..
Com o tempo vai percebendo que só se vê com olhos fechados quando se está dormindo, que em dias de chuva as estrelas se escondem e que aguá salgada no rosto é lágrima e não chuva. Que sonho não realizado é pesadelo, mas que mesmo assim é lindo. Barquinhos de papel até são legais, mas na estante e as lembranças também. Você pode até usar de vez em quando, mas se usar sempre desgasta.
Destino é uma coisa que se constrói e dessa forma você é o único responsável pelo seu, independente de quão doloroso isto seja.

terça-feira, 5 de outubro de 2010


Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte

Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…

Sou a que chamam triste sem o ser…

Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que

Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!

[Florbela Espanca]